sábado, 26 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
O Adeus de Ronaldo.
dia acordou triste e cinzento, preparando o adeus de Ronaldo, o eterno fenômeno, um dos maiores jogadores da história mundial. Com seu carisma, até hoje, conquista admiradores por este mundo afora. Estou de luto, como a maioria que ama o futebol e que reconhece quem tem talento. Como corinthiana, apaixonada pelo meu Timão, fico feliz por ele ter passado por aqui. Acho que ele merece um grande jogo de despedida. Espero também que este nosso eterno ídolo, nunca seja esquecido, como muitos no passado, foram. Infelizmente nós não sabemos guardar a memória dos nosso maiores ídolos. OBRIGADA POR TD RONALDO E SEJA MUITO FELIZ!!! BOA SORTE!!!
sábado, 12 de fevereiro de 2011
BBB.11 - No olho clínico de Luiz Fernando Veríssimo.
(Luiz Fernando Veríssimo)
Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...A décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil,... encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos, na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE...
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.
Eu gostaria de perguntar, se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?
São esses nossos exemplos de heróis?
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..
Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.
Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.
E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
(Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.
Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.
Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...A décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil,... encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos, na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE...
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.
Eu gostaria de perguntar, se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?
São esses nossos exemplos de heróis?
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..
Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.
Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.
E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
(Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.
Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Bandido deve ser tratado como tal, não como cidadão, diz cardeal Eugenio Sales
Sábado, quando a Catedral Metropolitana do Rio abrir as portas para uma missa em homenagem aos 90 anos do cardeal Eugenio de Araújo Sales, os fiéis vão encontrar uma pessoa diferente da que comandou a Arquidiocese do Rio por 30 anos (de 1971 a 2001).
O homem sisudo, de voz e passos firmes, deu lugar a um senhor que caminha com dificuldade, fala baixo e ri.
Suas ideias, contudo, não mudaram. Diz que bandido deve ser tratado como bandido, não como cidadão.
Folha - O sr. foi sagrado bispo aos 33 anos e tornou-se cardeal aos 48. É uma trajetória rara na igreja, não?
Eugenio de Araújo Sales - Não é comum, mas não me julgo uma pessoa excepcional por isso. Apenas procurei cumprir meus deveres. Sempre disseram que eu era tradicionalista, mas nunca me classifiquei assim.
Incomodava ser chamado de tradicionalista enquanto, durante a ditadura, o sr. ajudou entre 4.000 e 5.000 perseguidos políticos a sair do país?
Eu não achava bom ser chamado de tradicionalista. Mas continuava meu trabalho da mesma forma.
O sr. ligou mesmo para o então ministro do Exército, general Sylvio Frota [ministro do presidente Ernesto Geisel, de 1974 a 1977], e disse: "Se receber a comunicação que estou protegendo comunistas no Palácio [São Joaquim, sede da arquidiocese], saiba que é verdade"?
Disse, mas não para agredir. Estava revelando amizade, mas independência também. Não houve reação negativa dele. Uma vez fui chamado para receber a Medalha do Pacificador [concedida pelo Exército], mas não quis porque a situação era muito difícil. Frota entendeu que não fazia aquilo como afronta. Eles sabiam que eu não era comunista.
Hoje temos a questão da violência, do tráfico. Qual o papel da igreja nesse cenário?
O mesmo daquela época. Por mais de uma vez bandidos armados pararam meu carro quando eu subia para o Sumaré [região do alto da floresta da Tijuca]. Quando viram que eu estava no carro, mandaram seguir. Depois disso, sempre passo com as luzes internas acessas.
É sempre um susto. Eles conhecem o carro e procuram esconder armas. Entendo o sofrimento deles, mas isso não justifica seus atos.
Bandidos têm que ser tratados como bandidos, não como cidadãos. Bandido tem direitos humanos. Não tem direito de ser bandido, mas não pode ser injustiçado.
Como o sr. vê o crescimento das igrejas evangélicas?
Elas têm presença forte e avançam, mas não me alarmo. Já participei de várias celebrações com pastores.
Não queremos agradar para conquistar, mas expor nossos pontos de vista.
É trabalho de entendimento, mas não com todos os protestantes. Esses donos de TV e rádio atacam a igreja. Não vou atacar porque fui atacado. A questão não é o número de fiéis, mas viver em Deus.
Como o sr. vê o debate sobre aborto e união homossexual?
A igreja tem doutrina. O casamento é homem e mulher, foi ensinado por Jesus.
A igreja é contra o homossexualismo, mas não se deve desprezar o homossexual. Ele deve ser tratado com caridade. A adoção por parte de homossexuais é outro problema. Não se pode expor uma criança a isso.
A igreja enfrenta graves acusações de ter acobertado casos de pedofilia. Como o sr. encarou isso?
A igreja agiu, mas talvez não com muito rigor. Precisava ter sido mais enérgica. Porém, parece ter havido um complô de ataques à igreja, aproveitando-se de um fato e generalizando para o todo.
O sr. chegou a ser considerado candidato ao papado. Imaginou que pudesse ser papa?
Nunca sonhei em chegar aonde cheguei. Ser papa é um sacrifício e jamais pensei nessa possibilidade.
O homem sisudo, de voz e passos firmes, deu lugar a um senhor que caminha com dificuldade, fala baixo e ri.
Suas ideias, contudo, não mudaram. Diz que bandido deve ser tratado como bandido, não como cidadão.
Folha - O sr. foi sagrado bispo aos 33 anos e tornou-se cardeal aos 48. É uma trajetória rara na igreja, não?
Eugenio de Araújo Sales - Não é comum, mas não me julgo uma pessoa excepcional por isso. Apenas procurei cumprir meus deveres. Sempre disseram que eu era tradicionalista, mas nunca me classifiquei assim.
Incomodava ser chamado de tradicionalista enquanto, durante a ditadura, o sr. ajudou entre 4.000 e 5.000 perseguidos políticos a sair do país?
Eu não achava bom ser chamado de tradicionalista. Mas continuava meu trabalho da mesma forma.
O sr. ligou mesmo para o então ministro do Exército, general Sylvio Frota [ministro do presidente Ernesto Geisel, de 1974 a 1977], e disse: "Se receber a comunicação que estou protegendo comunistas no Palácio [São Joaquim, sede da arquidiocese], saiba que é verdade"?
Disse, mas não para agredir. Estava revelando amizade, mas independência também. Não houve reação negativa dele. Uma vez fui chamado para receber a Medalha do Pacificador [concedida pelo Exército], mas não quis porque a situação era muito difícil. Frota entendeu que não fazia aquilo como afronta. Eles sabiam que eu não era comunista.
Hoje temos a questão da violência, do tráfico. Qual o papel da igreja nesse cenário?
O mesmo daquela época. Por mais de uma vez bandidos armados pararam meu carro quando eu subia para o Sumaré [região do alto da floresta da Tijuca]. Quando viram que eu estava no carro, mandaram seguir. Depois disso, sempre passo com as luzes internas acessas.
É sempre um susto. Eles conhecem o carro e procuram esconder armas. Entendo o sofrimento deles, mas isso não justifica seus atos.
Bandidos têm que ser tratados como bandidos, não como cidadãos. Bandido tem direitos humanos. Não tem direito de ser bandido, mas não pode ser injustiçado.
Como o sr. vê o crescimento das igrejas evangélicas?
Elas têm presença forte e avançam, mas não me alarmo. Já participei de várias celebrações com pastores.
Não queremos agradar para conquistar, mas expor nossos pontos de vista.
É trabalho de entendimento, mas não com todos os protestantes. Esses donos de TV e rádio atacam a igreja. Não vou atacar porque fui atacado. A questão não é o número de fiéis, mas viver em Deus.
Como o sr. vê o debate sobre aborto e união homossexual?
A igreja tem doutrina. O casamento é homem e mulher, foi ensinado por Jesus.
A igreja é contra o homossexualismo, mas não se deve desprezar o homossexual. Ele deve ser tratado com caridade. A adoção por parte de homossexuais é outro problema. Não se pode expor uma criança a isso.
A igreja enfrenta graves acusações de ter acobertado casos de pedofilia. Como o sr. encarou isso?
A igreja agiu, mas talvez não com muito rigor. Precisava ter sido mais enérgica. Porém, parece ter havido um complô de ataques à igreja, aproveitando-se de um fato e generalizando para o todo.
O sr. chegou a ser considerado candidato ao papado. Imaginou que pudesse ser papa?
Nunca sonhei em chegar aonde cheguei. Ser papa é um sacrifício e jamais pensei nessa possibilidade.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Operação Massacre...Rodolfo Walsh
Em 9 de junho de 1956, dez meses depois do golpe de Estado que derrubou Juan Domingo Perón da presidência da Argentina, o general Juan José Valle liderou uma sublevação destinada a reconduzir o líder, então exilado, ao poder. Rapidamente reprimido, o movimento não durou 72 horas e teve como trágica consequência a morte de 27 pessoas, entre civis e militares, quase todos fuzilados sob os auspícios da Lei Marcial que o governo do general Pedro Eugenio Aramburu decretou na ocasião.
O “putsch” fracassado do general Valle tinha tudo para se alojar numa nota de rodapé da história, como mais um entre tantos outros golpes e contragolpes militares ocorridos na América Latina durante o século 20. Mas a curiosidade de um repórter acabou elevando-o a uma outra categoria. Tornou-se um episódio exemplar a respeito da truculência do Estado e, não menos importante, uma aula de jornalismo
No final de 1956, Rodolfo Walsh (1927-1977) jogava xadrez e bebia cerveja num bar em La Plata quando ouviu a frase que determinou novo rumo a sua carreira e vida. “Um fuzilado está vivo”. Autor de novelas policiais, Walsh foi fisgado por aquelas poucas palavras, que referiam-se a um sobrevivente do golpe frustrado de junho. Ao resolver ouvi-lo, acabou mergulhando numa investigação jornalística fantástica.
“Operação Massacre”, publicado pela primeira vez em 1957, descreve em detalhes a saga kafkiana de uma dezena de cidadãos que, reunidos para ouvir uma luta de boxe pelo rádio na casa de um conhecido na noite do golpe, foram presos pela polícia e fuzilados, na madrugada do dia seguinte, sem saber por quê.
Walsh reconstitui em detalhes o perfil de cada um dos doze homens presos, depois descreve minuto a minuto os acontecimentos que os levaram a um descampado, onde foram fuzilados. Com a ajuda de outros sobreviventes, que localizou, e de sua investigação detetivesca, o jornalista consegue provar que a maioria não tinha ligação alguma com a tentativa de golpe e mesmo aqueles que sabiam não tiveram envolvimento direto com a ação do general Valle.
Walsh também consegue provar que a ação de captura e morte deste grupo foi ilegal, uma vez que ocorreu horas antes da decretação da Lei Marcial, que o Estado usou como justificativa oficial para os acontecimento
As primeiras reportagens de Walsh sobre o assunto foram recusadas por todos os principias jornais e revistas argentinos. Publicadas em órgãos independentes e de pequena tiragem, tiveram pouca repercussão. Em inúmeros prólogos, introduções e epílogos adicionados à edição original do trabalho em livro, o escritor descreve a sua brava saga solitária.
Vinte anos depois de publicada a primeira edição de “Operação Massacre”, em 1977, Walsh escreveu uma carta-aberta à ditadura militar então de plantão, comandada pelo general Jorge Videla, denunciado os seus crimes e sua contribuição para o desastre da economia argentina. Desapareceu no dia seguinte e integra, desde então, as estatísticas de uma das ditaduras mais cruéis da América Latina.
Publicado pela primeira vez no Brasil, dentro da coleção Jornalismo Literário, “Operação Massacre”
(Companhia das Letras, 284 págs., R$ 46) traz um esclarecedor estudo de Natalia Brizuela, mostrando como a investigação jornalística de Walsh é devedora de seu interesse pela literatura policial, e uma “nota biográfica” de Ruy Castro, que acrescenta elementos ao seu perfil.
Tags: Jornalismo Literário, Operação Massacre, Rodolfo Walsh
por Mauricio Stycer às 13:11
O “putsch” fracassado do general Valle tinha tudo para se alojar numa nota de rodapé da história, como mais um entre tantos outros golpes e contragolpes militares ocorridos na América Latina durante o século 20. Mas a curiosidade de um repórter acabou elevando-o a uma outra categoria. Tornou-se um episódio exemplar a respeito da truculência do Estado e, não menos importante, uma aula de jornalismo
No final de 1956, Rodolfo Walsh (1927-1977) jogava xadrez e bebia cerveja num bar em La Plata quando ouviu a frase que determinou novo rumo a sua carreira e vida. “Um fuzilado está vivo”. Autor de novelas policiais, Walsh foi fisgado por aquelas poucas palavras, que referiam-se a um sobrevivente do golpe frustrado de junho. Ao resolver ouvi-lo, acabou mergulhando numa investigação jornalística fantástica.
“Operação Massacre”, publicado pela primeira vez em 1957, descreve em detalhes a saga kafkiana de uma dezena de cidadãos que, reunidos para ouvir uma luta de boxe pelo rádio na casa de um conhecido na noite do golpe, foram presos pela polícia e fuzilados, na madrugada do dia seguinte, sem saber por quê.
Walsh reconstitui em detalhes o perfil de cada um dos doze homens presos, depois descreve minuto a minuto os acontecimentos que os levaram a um descampado, onde foram fuzilados. Com a ajuda de outros sobreviventes, que localizou, e de sua investigação detetivesca, o jornalista consegue provar que a maioria não tinha ligação alguma com a tentativa de golpe e mesmo aqueles que sabiam não tiveram envolvimento direto com a ação do general Valle.
Walsh também consegue provar que a ação de captura e morte deste grupo foi ilegal, uma vez que ocorreu horas antes da decretação da Lei Marcial, que o Estado usou como justificativa oficial para os acontecimento
As primeiras reportagens de Walsh sobre o assunto foram recusadas por todos os principias jornais e revistas argentinos. Publicadas em órgãos independentes e de pequena tiragem, tiveram pouca repercussão. Em inúmeros prólogos, introduções e epílogos adicionados à edição original do trabalho em livro, o escritor descreve a sua brava saga solitária.
Vinte anos depois de publicada a primeira edição de “Operação Massacre”, em 1977, Walsh escreveu uma carta-aberta à ditadura militar então de plantão, comandada pelo general Jorge Videla, denunciado os seus crimes e sua contribuição para o desastre da economia argentina. Desapareceu no dia seguinte e integra, desde então, as estatísticas de uma das ditaduras mais cruéis da América Latina.
Publicado pela primeira vez no Brasil, dentro da coleção Jornalismo Literário, “Operação Massacre”
(Companhia das Letras, 284 págs., R$ 46) traz um esclarecedor estudo de Natalia Brizuela, mostrando como a investigação jornalística de Walsh é devedora de seu interesse pela literatura policial, e uma “nota biográfica” de Ruy Castro, que acrescenta elementos ao seu perfil.
Tags: Jornalismo Literário, Operação Massacre, Rodolfo Walsh
por Mauricio Stycer às 13:11
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